Edição crítica, metodologias

Essa semana estou muito focado em terminar de escrever meu projeto de mestrado que envolve a produção de uma edição crítica. Até agora tive acesso a dois livros que falam sobre o assunto, sendo que um deles é o livro de Carlos Alberto Figueiredo, que para facilitar muito as coisas é em português. Eu me baseio muito em seu livro, especialmente na parte que fala sobre edição crítica e suas metodologias.

Ele cita duas metodologias utilizadas para a produção da edição crítica que almejam resultados diferentes. A crítica textual procura chegar ao texto original do compositor, como explica Barbara Spaggiari:

[A] crítica textual […] tem por finalidade a reconstituição do
original perdido de uma obra.

(Spaggiari, 1998, p. 53)

Figueiredo diz o seguinte:

A crítica textual, ou crítica da tradição, é um “método crítico que se esforça por restabelecer a forma autêntica de um texto de tradição”, ou “produzir um texto o mais próximo do original perdido”. Para Housman, é a ciência de descobrir erros em textos e a arte de removê-los.

(Figueiredo, 2014, p. 94)

O outro método é chamado de crítica das variantes:

A chamada ‘crítica das variantes’ tem como objecto de investigação toda a actividade do autor, com vista à versão definitiva da obra. Inclui, portanto, o estudo de todas as variantes que correspondem às fases iniciais e intermédias da elaboração do texto, ou seja, as tentativas, as hesitações, as emendas, que oferecem um testemunho precioso não só do trabalho técnico-estilístico, mas ainda do tormento criativo em que sempre resulta a composição de uma obra.

(SPAGGIARI, 1998, 53)

Figueiredo diz o seguinte:

Se a crítica textual, como vimos, procura estabelecer um texto enfatizando a intenção de escrita do compositor a partir dos vestígios deixados pelas fontes de tradição, tem a crítica das variantes outra abordagem, procurando estabelecer um texto que não apenas reflita a intenção de escrita original do compositor, mas também sua última intenção, ou a chamada “versão de última mão”.

(FIGUEIREDO, 2014, p. 120)

Essas metodologias são amplas e abordam outros métodos desenvolvidos para .

FIGUEIREDO, Carlos Alberto. Música sacra e religiosa brasileira dos séculos XVIII e XIX: Teorias e práticas editoriais. Rio de Janeiro: ed. do autor, 2014.

SPAGGIARI, Barbara. Ecdótica e crítica das variantes. Veredas, Porto, n. 1, p. 49-65, 1998.

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